O vídeo American Genious foi selecionado no Athens Digital Arts Festival. O #ADAF2016 - 12th Athens Digital Arts Festival | Digital Pop ocorrerá no Historic Centre of Athens entre os dias 19 - 22 de maio de 2016.
quarta-feira, 11 de maio de 2016
quarta-feira, 27 de abril de 2016
Abertura para o Incerto - Exposição de Nelton Pellenz
Convido a todos os amigos para a exposição "Abertura para o Incerto" de Nelton Pellenz. A exposição faz parte do programa "Edital de ocupação" do Palácio das Artes/BH. Como bem disse Dirnei Prates em seu facebok: "A exposição, que apresenta trabalhos que tratam de questões referentes às fronteiras físicas, psicossociais e da imagem".
Dentre as obras de Nelton exibidas na galeria da CâmeraSete, tive o prazer de participar da construção de dois dos vídeos expostos: Imerson e Abordagem. Ambos de 2014 realizados durante a Video residência: Território Expandido da Galiera Mamute em Porto Alegre.
![]() |
| Imerso - 2014 |
sexta-feira, 22 de abril de 2016
terça-feira, 24 de novembro de 2015
BÂNGALA: YAKÃ AYÊ
To super feliz com o convite de meu grande amigo Uirá dos Reis pra participar da exposição: BÂNGALA: YAKÃ AYÊ. Segue abaixo o texto postado pelo Uirá no Facebook a respeito da curadoria.
Eu e Yuri Firmeza fizemos a curadoria de uma exposição coletiva que abre agora dia 28 de Novembro na galeria A Gentil Carioca aqui no Rio, chamada BÂNGALA: YAKÃ AYÊ. Acreditamos que os 28 artistas participantes distribuídos em 9 linguagens, entre Jovens e Mestres, todos incríveis, nos ajudam a lançar um olhar fragmentário sobre o Brasil e sua arte.
"Dos muitos sentidos de Bângala, da língua minoritária Bantu ao governador da Angola, o que mais nos interessa é aquele apontado por Ana Miranda em “Musa Praguejadora – A Vida de Gregório de Matos”, qual seja, Bângala significa pau duro em língua Bunda. O mesmo procede com Ayê, palavra da língua Yoruba que, entre as variações de tradução (e toda tradução é transcriação) nos convoca a pensar o sentido de terra ou vida. Yakã, talvez a mais certeira das palavras, significa Rio em Guarani.
Bângala: Yakã Ayê seria assim, longe de um elogio ao falocentrismo, uma ode as vidas vividas num caudaloso fluxo. Asseguradas as peculiaridades de cada língua, criamos aqui uma situação onde estas línguas se toquem numa operação crítica ao regime de sobrevidas.
Nos interessa pensar a inexatidão e o deslize deste título como algo próprio daquilo que norteou esta curadoria. Como se a um plano totalizante, o respeito a gramática, as legislações e aos delineios assertivos, as obras aqui se contrapusessem numa espécie de glossolalia. Ou seja, obras e curadoria que privilegiam aos relações diferenciais em detrimento dos termos; que diz mais respeito à sintaxe do que aos aspectos léxicos."
Chico da Silva, Randolpho Lamonier, Henrique Viudez, Francisco De Almeida, Thor Ka, Marina De Botas, Sérgio Borges, Sérgio Gurgel, Victor de Melo, Leonardo Mouramateus, Joacelio Batista, Romy Pocztaruk, Luciana Magno, Solon Ribeiro, Simone Barreto, Dalton Paula, OSSO OSSO, Thiago Martins Melo, Rodrigo Martins, Paulo Nazareth, Juliane Peixoto, Adriele Freitas, Frederico Benevides, Alexandre Vogler, Ronald Duarte, Arthur Scovino, Samuel Tomé, Andre Parente.
Para maiores detalhes:
http://agentilcarioca.com.br/exposicao/bangala-yaka-aye/
https://www.facebook.com/events/1653663471567507/
https://www.facebook.com/events/1653663471567507/
quarta-feira, 12 de agosto de 2015
Mostra Livre Minas em Porto Alegre.
O vídeo "Bucólica" será exibido em Porto Alegre nos dias 21/08 e 22/08 dentro da curadoria "Mostra Livre Minas" organizada pelos queridíssimos amigos do Cine Água, Dirnei Prates e Nelton Pellenz. A mostra faz parte da Semana do Audiovisual promovida pelo Centro Cultura Vila Flores em Porto Alegre, que fica na R. São Carlos, 753 no bairro Floresta na capital gaúcha.
![]() |
| Bucólica 4 |
Para maiores informações: http://vilaflorespoa.wix.com/semanaaudiovisual
Artistas participantes da Mostra Livre Minas:
Ana Moravi - No infinito oceano da multidão - 5 min - 2007
Anne e Gabraz - Oceanne - 5 min - 2013
Carlos Magno e Francisco de Paula - Kalashnicov - 10 min - 2005
CLSalvaro - São Mão - 30 seg - 2012
Daniel Saraiva - Vestes recém tiradas - 5 min - 2003
Dellani Lima- Estrela - 3 min - 2012
Gabriel Sana e Sara não tem nome - Sonho de Sara - 8 min - 2014
Igor Amin - Ave Sinfonia - 7 min - 2015
Joacélio Batista - Bucólica # 04 - 3 min - 2014
Juliana Alvarenga - Sheet music - 4 min - 2011
Randolpho Lamonier - Carbono 14 - 2 min - 2013
Sávio Leite - Vicachá - 3 min - 2014
sábado, 6 de junho de 2015
Terrorismo Poético - A influência das vanguardas utópicas em intervenções urbanas e manifestações no Brasil.
Terrorismo
Poético - A influência das vanguardas utópicas em intervenções urbanas e manifestações
no Brasil.
Joacélio
Batista
Orientador:
Pedro Bessa, Ph.D.
Mestrado em Criação Artística Contemporânea, Universidade
de Aveiro
Resumo:
O presente artigo tem
como interesse relatar a influência que movimentos de vanguarda como dadaístas,
surrealistas, Internacional Situacionista ou, mais recentemente, grupos
underground como Luther Blisset,tiveram sobre ideias e ações que marcaram a “guerrilha
poética”(Bey, 2003) no Brasil, quer durante o regime militar quer por ocasião dos
protestos recentes contra as políticas públicas e econômicasditadas pelo
Neoliberalismo.Argumenta-se que este tipo de ações se insere numa tradição
artística utópica que nega a arte institucionalizada, chegando a propor a sua abolição.
A partir da década de 1990, artista e ativistapolítico confundem-se,
convergindo na figura do colectivo anónimo ou de nome múltiplo. Personagens mitopoéticas cuja estratégia passa
também por uma crítica cerrada da impressa e televisão brasileiras, consideradas
o braço midiático das reinvindicações do mercado.
Abstract:
This article interest is to report the influence that
avant-garde movements such as Dada, Surrealist, Situationist International or,
more recently, underground groups as
Luther Blissett, had on ideas and actions that marked the "guerrilla
poetry" (Bey, 2003) in Brazil either during the military regime nor on the
recent protests against public and economic policies dictated by Neoliberalism.
It is argued that this type of action is part of a utopian artistic tradition
that denies the institutionalized art, even proposing its abolition. From the
1990s, artist and political activist are confused, converging in the figure of
the anonymous collective or multiple name. Mythopoesis characters whose
strategy will also include a review of printed and bushy Brazilian television,
considered the media wing of Claims of the market.
Palavras-chave:antiarte,situacionismo,
détournement,Luther Blisset, mitopoese,
1. Introdução
As características
essenciais do Utopismo do século XX tornaram-se claras nesses movimentos
pré-guerra. Partidários dessa tradição visam não somente a integração da arte e
vida, mas a de todas as atividades humanas.
(Home, 2004: 17)
No explosivo ano de
1968, a Internacional Situacionista reivindicava influência direta na revolta
estudantil, conhecida como Maio de 68, através de seu texto Miséria da Vida Estudantil[1]que
rendeu publicidade ao grupo que acreditava vivenciar sua
profecia revolucionária.
Enquanto estudantes montavam suas barricadas pelas ruas de Paris, estudantes
brasileiros foram às ruas na chamada marcha dos Cem mil exigir o fim do golpe militar
que,quatro anos antes, tinha deposto o governo de João Goulart, em 1de abril de
1964.
Dos distúrbios de
1968 aos protestos atuais contra a copa do mundo no Brasil, a tradição utópica
da arte, preconizando uma integração de arte e vida, idealizou e desenvolveu
táticas de terrorismo poético ao redor do mundo que ocupam a imaginação e os
gritos da urgência popular. Nas manifestações vistas nas ruas brasileiras
contemporâneas encontramos alguns exemplos desses atos de sabotagem onde a
poesia é uma arma nas mãos de artistas/ativistas que vislumbram o sonho de um
mundo mais justo.
2. Intervenções
artísticas no período da Ditadura Militar
Em resposta às
manifestações que tomavam as ruas das capitais brasileiras, os militares sob o
comando do então presidente General Artur Costa e Silva, instauraram o
famigerado Ato Constitucional nº5 que fechava o congresso nacional e caçava
todos os direitos civis. Começava assim o mais duro período da ditadura
brasileira que durou até o ano de 1978.
Durante esse período
houve uma contrarreação de grande parte da classe artística brasileira. Duas
ações em especial se destacam, Situação
T/T,1 (1970) do português radicado no Brasil, Artur Barrio e Inserções em Circuitos Ideológicos (1970
–)de Cildo Meireles que adotavam em sua prática o que hoje se convencionou
designar como terrorismo poético[2].
![]() |
| Fig. 1 e Fig 2: Barrio, Situação T/T, 1 – Belo Horizonte (1970) |
Na manhã de abril de
1970, 14 trouxas ensanguentadas apareceram nas margens do ribeirão Arrudas que
no período ainda fazia parte dos limites do Parque Municipal da cidade de Belo
Horizonte (Barrio &Canongia, 2002: 23).
As trouxas logo chamaram a atenção dos locais. Cidadãos aterrorizados
denunciaram a presença de corpos esquartejados nas margens do rio à polícia.
Numa época onde presos políticos desapareciam sem deixar vestígios, não seria
inteligente deixar que o frisson em torno das trouxas tomasse proporções que
fugissem ao controle do regime. Na
verdade, essas trouxas ensanguentadas, colocadas de forma anônimano rio que
cortava o parque da cidade faziam parte do trabalho Situação T/T, 1 realizado por Artur Barrio durante o evento Do Corpo à Terra,que teve curadoria de
Frederico Morais.
Outro trabalho que se
insere no contexto de guerrilha poética são as Inserções em circuitos Ideológicos (1970- ) de Cildo Meireles. O
artista se apropria de garrafas de coca-cola imprimindo na superfície das
mesmas a frase Yankees go home, para
em seguida as devolver a sua circulação normal. Cinco anos mais tarde as Inserções de Meireles se apropriariam de
notas de um cruzeiro[3]
carimbadas com a frase, Quem matou
Herzog? - nome do jornalista que
trabalhava para a TV Cultura, canal de TV do governo do estado de São Paulo,
que foi encontrado morto em sua cela[4].
Tanto Meirelles quanto Barrios traziam para seu trabalho um discurso de resistência contra o regime ditatorial brasileiro. Táticas de sabotagem poética, através da subversão do sistema são vistas nas obras dos dois artistas (Figuras 1-3). O anonimato durante a execução da obra é uma estratégia crucial. Nesse contexto, as obras desses artistas se tornam análogas aosreadymadesdadaístas assim como à ideia de que “a poesia deveria ser feita por todos” (Breton,1979: 306),presente na teoria surrealista.
![]() |
| Fig.3Meireles, Inserções em Circuitos Ideológicos: Projeto Cédula (1975) |
A Internacional
Situacionista (I.S.) propõe-se ir além. Em sua crítica aos dois movimentos diz
que o erro compartilhado por seus predecessores foi não estenderem a crítica da
arte para a política[5]. A arte precisava ser revolucionária agindo
contra o que os situacionistas chamavam de Sociedade
espetáculo (Debord, 1998). Para tanto deveria matar seus ídolos e
reinventar a si mesma: as ideias de autor e de trabalho artístico só reforçavam
o papel da arte como um mito útil ao mercado, a serviço do bom gosto burguês.
O fato de Meireles e
Barrio terem assinado suas obras algum tempo depois da ação executada,
institucionalizando-as, afasta-as das propostas situacionistas. Porém, suas
obras se alinham aos conceitos propostos por dadaístas e surrealistas. Barrio, aliás, nega ter conhecimento dos textos
situacionistas naquela época e comenta a respeito:
...desde o momento que mistura-se o Surrealismo com o
Dadá (em sua parte teórica) dá-se forçosamente como resultado o “Situacionismo”
ou que qualquer outro nome queiram dar... o malabarismo “Situacionista” é
extremamente referente! O que não quer dizer que não deixe de ter seu interesse. (Barrio, cit. por Rebouças, 2011:79)
3. O Artista/Ativista
Uma novidade da I.S. era prática do détournementproposta por Debord e Wolman (1956), e queconsistia
no uso de elementos retirados do sistema capitalista e da mídia, por exemplo
imagens e slogans publicitários, voltando-os contra si mesmos. Uma utilização
política e irónica da “colagem” que seria retomada, mais tarde, por exemplo
pelo movimento punk.[6]
De
fato, se a revolução tão anunciada pela I.S. em 68 não veio (Rasmussen, 2004:
383), ao menos ela inspirou vários outros grupos e movimentos artísticos e de
artista/ativistas nas décadas que seguiram.
Em Assalto à Cultura, Stewart
Home (2004) faz uma espécie de árvore genealógica dessa tradição utópica da antiarte a partir da
influência do Futurismo, Dadá, Surrealista, Internacional Letrista e I.S.,
passando pelo Fluxus, Movimento Punk, Neoístas, Provos, Mail Art, entre outros
chegando à Class War na década de 80.
![]() |
| Fig.4: Avatar de Luther Blissett |
No contexto histórico
descrito por Home, o artista cada vez mais se confundia com o ativista
político. Grupos como Luther Blissett (L.B.) [7]
atuavam como uma guerrilha urbana contra os mecanismos de entorpecimento que a
sociedade espetáculo impõe com a rotina da vida cotidiana, através da televisão
e mass media.A ideia de obra de arte
sem autor permitiu aogrupo o anonimato necessário para pôr em prática suas
táticas fugazes de guerrilha. A ideia de
nomes múltiplos (Home, 2004: 117) usado por coletivos artísticos como
White Colors do movimento Geração
Positiva londrino, MontyCantsin do
grupo Neoístas e Luther Blissett do
qual sua célula italiana mais tarde tornar-se-ia Wu Ming, são exemplos desses procedimentos. No livro, Guerrilha Psíquica, atribuído ao Grupo
Luther Blissett, essas táticas são tratadas como Mitopoese[8].
Entre os anos 80 e 90
do século XX, uma indeterminada rede de “artistas” sem obras, ativistas
pós-políticos, operadores de mídias independentes (...) resolveram, metaforicamente,
sumir se enredado em uma lenda, apostando no maravilhoso. (...) “Construção do
mito.” Utilizar as lendas urbanas, as técnicas de intelligence, as estratégias
publicitárias, mas se desviando de tudo isso como o intento de criar uma reputação,
um personagem – no começo “virtual”, depois, cada vez mais real. (...)
Mitopoese, dizíamos: Saquear e readaptar um patrimônio bastante antigo de mitos
e arquétipos comuns a todas as sociedades humanas, em seguida recomposto na
arte e na cultura de massa. (...)(Blissett, 2001:16)
4. O Front
contra do Neoliberalismo
Se os anos 80 e 90,
segundo o suposto Blissett foram apáticos, o fim dos anos 90 trouxe a cena a
proposta de homogeneização do capital e da cultura, o projeto neoliberal da
globalização. Não tardou para que um dos principais instrumentos dessa política
se tornasse a principal arma contra a mesma, a internet.
(...) são novas,
urgentes e efetivas condições de luta pela democracia. Elas nasceram das
experiências de uma geração, que poderíamos chamar de geração-e, Ensejando um
conceito ampliado e multe participativo de ação cidadã, que poderia chamar de
politica-e. (...) Procuram articulá-la como um potencial para o desenvolvimento
pessoal, comunitário e coletivo. (...) Esse “e” resume também os três
princípios fundamentais de seu projeto político, ética, educação e ecologia.(Chrispiniano, 2002:
12)
Esse novo front de
batalha contra o neoliberalismo tem início em 1994, com o levante indígena do
Exército Zapatista de Libertação Nacional da região de Chiapas. O manifesto do
líder sem face[9],
que utiliza o curioso nome de Subcomandante Marcos, convocava todos os povos
contra o neoliberalismo. O grito de urgência mexicano recebeu enorme cobertura
mediática mundial. O movimento também dá
início à subversão da internet (Chrispiniano, 2002: 17).
Em
1997, durante o segundo encontro internacional promovido pelos zapatistas foi
criada a Ação Global dos Povos (A.G.P.) que diferente da I.S. não era um mesmo
movimento espalhado pelo mundo e sim uma aliança de vários grupos distintos com
um objetivo em comum de combater o poder instituído pelo capital. A grande
contribuição da AGP foram os Dias de Ação Global, datas marcadas em
contraposição dos grandes encontros capitalistas como G8, FMI, Banco Mundial e
OMC.
A AGP obteve
importantes vitórias nesse período com o cancelamento dos fóruns de Sidney e
Praga. Manifestações bem sucedidas que ecoam nos dias de hoje em movimentos
como Occupy NY, Primavera árabe, Los Indignados em Espanha, Soy #123 no México,
dentre outros. No Brasil cito alguns dos mais recentes: movimento Fora Lacerda,[10]
movimento Passe Livre de São Paulo, e os protestos contra a copa do mundo da
FIFA.
Obviamente o capital
iria cooptar essas ideias para si. Transformando o mictório dadaísta em mercadoria
de arte colecionável, ou como refere HakinBey (2003: 102), “quando os
surrealistas fecharam sua fábrica, os executivos de publicidade foram seus
únicos clientes de liquidação”. Nem mesmo os farrapos e alfinetes punks ficaram
ilesos à ganância do mercado. O uso dos mitos do terrorismo poético se daria em
filmes como Fight Club (EUA, 1999) e TheMatrix (EUA, 1999). Entretanto, na
direção oposta, o filme V de Vingança (V for Vendetta, Reino Unido, 2005),
baseado na subversiva banda desenhada do escritor inglês Alan Moore e o
desenhista David Lloyd, perdeu o poder anestésico do espetáculo e acabou por
dar novo vigor aos movimentos. A máscara de V, o anti-herói, artista/ativista
e/ou terrorista que derruba um fictício governo totalitário britânico, se
tornou um novo mito entres os manifestantes ao ser incorporada pelo grupo de
hacker-ativistasAnonymous e posteriormente o avatar foi adotado por
manifestantes de todo o mundo. Na banda desenhada, a máscara é relacionada a um
popular anti-herói inglês, Guy Fawkes, que tentou explodir o parlamento inglês
em 1605 e ficou conhecido como the last man to enter Parliament with honest intentions.
![]() |
| Fig. 5: Capa da banda desenhada; Fig. 6 Cartaz do filme de 2005; Fig. 7: Manifestante brasileiro |
5. Ações no Brasil Contemporâneo.
No Brasil algumas
ações que pontuaram essa nova leva de manifestações ainda remetiam a obras e
fatos do período de governo militar que deixou o poder em 1985. Na cidade de
São Paulo no ano 2004, o CMI Brasil (Centro de Mídia
Independente)[11] segue a seu modo a
proposta da Internacional Letrista (Home, 2004: 38) ao colar adesivos com o
nome do jornalista Wladimir Herzog, morto e torturado pelo regime de exceção, renomeado
a Avenida Roberto Marinho[12].
A mesma ação é realizada pelo coletivo Defesa
Pública da Alegria em outubro de 2013 na cidade de Porto Alegre[13]
onde nomes ligados aos militares brasileiros foram trocados por nomes de
vítimas da ditadura em diversos pontos da cidade. O grupo estende a ação ao
renomear outras ruas com nomes de vítimas recentes como o ajudante de pedreiro
Amarildo de Souza, morto e torturado pela polícia militar carioca em julho de
2013[14].
![]() |
| Fig.8: Ação realizada pelo coletivo Defesa Pública da Alegria(2013) |
O Grupo
Poro de intervenções urbanas e ações efêmeras de Belo Horizonte revisitou o
trabalho de Meireles Inserções em
circuitos Ideológicos e disponibilizou através de seu site um modelo de
carimbo que estampou notas de várias moedas na América do Sul com os dizeres, FMI- Fome Miséria Internacional(2002-2006).
O próprio Meireles retomou a panfletagem monetária recentemente, ao carimbar os
dizeres – Cadê o Amarildo? – em notas
de dois reais no Rio de Janeiro, para chamar atenção do desaparecimento do já
citado ajudante de pedreiro carioca.
![]() |
| Fig. 9 :FMI (Fome e Miséria Internacional). Grupo Poro (2013); Fig.10Inserções em Circuitos Ideológicos(2013) |
Entre 2005 e 2010 com
a intenção de comprovar o rumor de que a imprensa do estado de Minas Gerais era
censurada pelo poder econômico por meio das verbas públicas de publicidade do
governo Aécio Neves[15],
propus uma ação de sabotagem, onde usando uma camiseta vermelha com uma estrela
amarela em todas as entrevistas que eu concedesse no período. A camisa remetia às camisas do PT – estrela
branca com fundo vermelho. Devido a essa associação nenhuma das entrevistas que
dei a um programa cultura da TV Minas, ligada ao governo foram para o ar. Durante este período
somente uma foto foi publicada na mídia mineira. O jornal Estado de Minas a publicouna capa de seu caderno de cultura, oito
meses depois de o governador ter deixado o cargo.
![]() |
| Fig. 11:Capa do caderno de Cultura do jornal Estado de Minas (03/08/2010) |
7. Conclusão
Essa contrapropaganda
que se apropria da linguagem da mídia assim como de produtos de circulação em
massa para, depois de poeticamente adulterados serem novamente recolocados no
sistema capitalista, pode ser vista como uso político de readymades e/ou como as
práticas de détournement. Também
podemos ver essa produção artística/ativista como arte-sabotagem que desperta
consciênciasou a mitopoese proposta por Blissett, que cria novos mitos
propulsores para luta de classes.
Como foi referido,
pode considerar-se que as chamadas vanguardas históricas, dadaísmo,
surrealismo, ou a própria I.S. falharam em seus objetivos. No entanto, assim
como o fracasso de Guy Fawkes fez dele um mito útil aos anarquistas ingleses e
posteriormente através do filme V de
Vingança, inspiração para uma nova geração de ativistas, também os
movimentos utópicos e sua antiarte espalharam suas sementes que germinam a cada
novo ato de terrorismo poético contra o sistema. Esse “assalto à cultura” se
propaga como erva daninha, criando novos mitos de resistência que alimentam a
utopia que move a urgência das ruas.
Referências:
Barrio, A &
Canongia, L. (2002). Artur Barrio. Rio de Janeiro, Brasil: Modo Edições.
Bey, H. (2003). Caos:
Terrorismo Poético & Outros Crimes Exemplares. São Paulo, Brasil: Conrad
Editora do Brasil.
Breton, A. (1979
[1935]). “Situação surrealista do objecto” in Manifestos do surrealismo, Lisboa: Moraes Eds., 3.ª ed.,
pp.295-329.
Blissett, L. (2001). Guerrilha
Psíquica. São Paulo, Brasil: Conrad Editora do Brasil.
Bürger, P. (1993) Teoria da vanguarda. Lisboa: Veg.
Chirspiniano, J. (2002).
Guerrilha Surreal. São Paulo, Brasil: Conrad Editora do Brasil; Com-Arte.
Debord, Guy. (1998) A Sociedade do Espetáculo. Rio de
Janeiro: Contraponto.
Home, S. (2004). Assalto
à Cultura: Utopia Subversão Guerrilha Na (anti)Arte do Século XX. São
Paulo, Brasil: Conrad Editora do Brasil.
Internacional
Situacionista (2002). Situacionista:
Teoria e Prática da Revolução. São Paulo, Brasil: Conrad Editora do Brasil.
Meireles, C. (2009).
Cildo Meireles. Rido de Janeiro, Brasil: Funarte.
Moraes, J (1989) A Mobilização Democrática e o Desencadeamento
da Luta Armada no Brasil em 1968: Notas Historiográficas e observaçõesCríticas.
São Paulo, Brasil.Tempo Social; Rev. Social USP, S. Paulo 1(2): 135-158, 2.
Rasmussen,
M. (2004). The Situationist International, Surrealism, and the Difficult Fusion
of Art and Politics. Oxford Art Journal, 27,367-387.
Rebouças, J. (2011). Artista
- corpo - cidade - política – arte: Relatos sobre Artur Barrio e sua obra.
Dissertação de Mestrado.Universidade Federal de Minas Gerais. DisponívelOnline: http://www.bibliotecadigital.ufmg.br/dspace/handle/1843/JSSS-8QKHHT
Sites:
De la misère en milieu étudiant (1966). Disponível
online:
http://fsegrenoble.free.fr/documents/DeLaMisereEnMilieuEtudiant.pdf
Debord, G &
Wolman, G. (1956). Um guia prático para
o desvio. Retirado em novembro de 2013 de:
http://www.reocities.com/projetoperiferia4/detour.htm
Democratização da Mídia. (14/10/2004). Esta Avenida “Mudou” de Nome. Retirado em novembro de 2013 de: http://brasil.indymedia.org/pt/red/2004/10/292489.shtml
Democratização da Mídia. (14/10/2004). Esta Avenida “Mudou” de Nome. Retirado em novembro de 2013 de: http://brasil.indymedia.org/pt/red/2004/10/292489.shtml
CMI-SP.
(14/10/2004). Quem foi Vladimir Herzog, quem foi Roberto Marinho. Retirado em
novembro de 2013 de:
http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2004/10/292474.shtml
G1,
Globo.com. (04/10/2013). Ruas são 'rebatizadas' com nome de vítimas da ditadura
em Porto Alegre. Retirado em novembro de 2013 de
http://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2013/10/ruas-sao-rebatizadas-com-nome-de-vitimas-da-ditadura-em-porto-alegre.html
Grupo
Poro. (10/07/2013). FMI (Fome e Miséria Internacional). Retirado em novembro de
2013 de http://poro.redezero.org/intervencao/fmi-fome-e-miseria-internacional/
Imagens:
Figura
1:Barrio, Situação T/T, 1 – Belo
Horizonte (1970). Registro: César Carneiro. Rebouças (2011: 42)
Figura
2:Barrio, Situação T/T, 1 – Belo
Horizonte (1970). Registro: César Carneiro. Rebouças (2011: 44)
Figura
3: Meireles, Inserções em Circuitos Ideológicos:
Projeto Cédula(1975).Disponível online em:http://www.tate.org.uk/art/artworks/meireles-insertions-into-ideological-circuits-2-banknote-project-t12530
Figura
4: Avatar de Luther Blissett. Disponível online em: http://mikuerpo.blogspot.com.br/2010/10/luther-blissett-en-espana.html
Figura
5: Capa da edição brasileira da banda desenhada, V de Vingança.
Figura
6: Cartaz original da adaptação de V de
Vingança para o cinema de 2005
Figura
7: Manifestante brasileiro. Disponível online em:
http://noticias.terra.com.br/educacao/historia/manifestantes-adotam-mascara-de-v-de-vinganca-como-simbolo-de-protestos,3e9ab3cd1336f310VgnVCM5000009ccceb0aRCRD.html
Figura
8: Ação realizada pelo coletivo Defesa Pública da Alegria. G1, Globo.com (2013).
Figura
9:Gupro Poro. FMI (Fome e Miséria
Internacional). Gupro Poro (2013)
Figura
10: Meireles, Inserções em Circuitos
Ideológicos: Projeto Cédula(2013).Disponível online em: http://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2013/11/1365447-as-cedulas-de-cildo-meireles-e-outras-8-indicacoes-culturais.shtml
Figura
11: Capa do caderno de Cultura do jornal Estado
de Minas(03 de agosto de 2010)
[1]De la misère en milieu étudiant considérée sous
ses aspects économique, politique, psychologique, sexuel..., panfleto de 1966, atribuído ao tunisino Omar Khayati.
[3] Moeda vigente no
Brasil no período.
[4]Em 1975, Vladimir Herzog foi chamadoao DOI-CODI / polícia militar para prestar esclarecimentos sobre o seu envolvimento com o Partido Comunista Brasileiro. Foi brutalmente torturado e terminou assassinado quando se recusou a assinar o depoimento. Seu corpo foi arrastado até uma cela e pendurado numa grade, simulando suicídio. O assassinato de Herzog transformou-se em escândalo nacional e foi decisivo para o movimento que levou à abertura política no Brasil. (CMI-SP, 2004)
[5]Como refere Rasmussen (2004: 380), embora Dada e
surrealismo tivessem sido determinantes para a destruição da “arte”, “they had both failed. Dada was
characterised by critically revealing the compensatory status of art yet
remaining an abstract negation of art, whereas Surrealism was characterised by
wanting to transgress art but without being aware of the fact that Dada had
already negated it.”
[6] Cf. capa do single dos Sex Pistols, God Save the Queen (1977).
[7] A primeira célula do
grupo surgiu na Itália em 1994 seguida de outras pelos EUA, Brasil, etc..
[8] A tradução brasileira
optou por essa grafia.
[9] O Subcomandante
Marcos sempre se apresenta com uma máscara sobre o rosto.
[10]Ativo
desde 2010, altura em que a proibição do uso para eventos públicos da Praça da
Estação (para suposta proteção do museu local) pelo prefeito da cidade de Belo
Horizonte, Márcio Lacerda, desencadeou um processo de ocupação das ruas da
cidade com muita festa e bom humor.
[11]Democratização da
Mídia (2004.
[12] Empresário brasileiro
fundador da TV Globo e um dos principais aliados do regime militar. (CMI-SP,
2004) http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2004/10/292474.shtml
[13] G1, Globo.com, 2013
[14] Disponível online em:
http://oglobo.globo.com/rio/inquerito-conclui-que-amarildo-foi-torturado-ate-morte-10225436
[15] A censura do governo estatual (do
PSDB,partido do centro / neoliberal)foi registrada no documentário, Liberdade essa palavra (Brasil, 2006) de
Marcelo Baêta. Disponível online: http://www.youtube.com/watch?v=3m1whvjKTNk
quinta-feira, 28 de maio de 2015
Assinar:
Postagens (Atom)
















