segunda-feira, 14 de março de 2011

O menino que colhia cascas, Premiado na MFL 2011





É um enorme prazer informar que o vídeo, "O menino que colhia cascas" recebeu o Troféu Filme Livre  na Mostra do Filme Livre - MFL 2011. Convido a todos amigos que estiverem no Rio e em Sampa  a comparecerem a mostra. 

Este ano MFL completa seus primeiros 10 anos, consolidando-se como a mais democratica mostra do audiovisual brasileiro.





Valeu Moçada!!!


Segue abaixo o texto de Juliano Gomes a respeito das cascas.


O MENINO QUE COLHIA CASCAS, de Joacélio Batista

O foco aqui são as cascas, a porção exterior das coisas. Uma grande brincadeira de trocas: casa em construção, carcaças de insetos, sacos plásticos, homens sem rosto, um menino que é todos e tudo (e também nenhum). O estado do filme é desta indefinição, dessa possibilidade de troca destes materiais e superfícies, onde não há nada dentro para ver. Um estudo sobre o translúcido. Sobre as possibilidades de passagem da luz nos objetos e nos corpos. A montagem opera estas trocas e variações de estados a partir das matérias que não param de se adicionar umas às outras: menino, inseto, plástico. Uma obra como possibilidade de expansão, como mecanismo de mutações, que opta pela infância como um lugar de instabilidade das formas, como possibilidade de indecisão. Afinal, um elogio às superfícies como lugar de passagem da luz e dos sentidos. (Juliano Gomes)



Panorama 7



Filmes:


Local: Rio de Janeiro -  CCBB-RJ - Cinema 1 

Duração: 78 minutos 



Toda programação da MFL.

  • Dia 18-03-2011 (Sexta-feira)
  •   17:30 - Panorama 7 (Rio de Janeiro - CCBB-RJ  -Cinema 1)
  • Dia 21-03-2011 (Segunda-feira)
  •   19:00 - Cineclube Cinema Paraíso (FFP/UERJ - Rua Dr. Francisco Portela, 1470, Sala 335 - Patronato - São Gonçalo - RJ)
  • Dia 24-03-2011 (Quinta-feira)
  •   19:30 - Panorama 7 (Rio de Janeiro - CCBB-RJ  - Cinema 2)
  • Dia 25-03-2011 (Sexta-feira)
  •   18:00 - Panorama 7 (São Paulo - CCBB-SP - Cinema)
  • Dia 28-03-2011 (Segunda-feira)
  •   19:00 - Cineclube Cinema Paraíso (FFP/UERJ - Rua Dr. Francisco Portela, 1470, Sala 335 - Patronato - São Gonçalo - RJ)
  • Dia 12-04-2011 (Terça-feira)
  •   20:00 - Cineclube Ouro Verde (Rua Marcel Pinto de Oliveira S/N - Baurú - SP)
  • Dia 16-04-2011 (Sábado)
  •   16:30 - Tintin Cineclube (Av. João Machado, nº 67, Centro. João Pessoa - PB)
  • Dia 20-04-2011 (Quarta-feira)
  •   19:00 - Cineclube Nós na Fita (Espaço Olho Vivo - Rua José Cabral, 45 - Morro do Estado - Niterói - RJ)

VIP - VideoChannel Interview Project


Entrevista ao Vip - Video Channel Interview Projetct, na ocasião do  VI Cologne off and Cologne off 2011   videoart in a global context . O documetário "Bolívia te Extraño", realizado em pareceria com Dellani Lima, faz parte da seleção do festival. 
O site tem entrevistas com videoastas de várias parte do mundo. http://vip.newmediafest.org/


1. Tell me something about your life and the educational background
My first contact with the arts was through the comic books and cartoons animation, This led me to join the Escola de Belas Artes Of the e Universidade Federal de Minas Gerais, (Fine arts school of Federal University of Minas Gerais- UFMG), Belo Horizonte, Brazil. I’m gradudated in animation in 2001 and drawing in 2003. Since then I have been producing works between cinema and the arts.
2. When, how and why started you filming?
At university I did my first experiments in the animation course.Everything was very precarious. We need to adapt with resorces we had. The focus on Drawing course at UFMG was on conceptual and contemporary art, this added to what he had learned in the animation course bring me closer with video art. After I left the University I was invited to an exchange between videomakers in South África, that was a really great experience There I fell the taste for video and documentaries. And I was infeceted by the “vídeo vírus” and I cant stop to do that.
3. What kind of subjects have your films?
The feedback that people give about my vídeo usully show me that my main subject is the solitude. In fact, lonely characters are a constant in my work. . But for me I try to show with my work the place that human being occupy in the world.
4. How do you develop your films, do you follow certain principles, styles etc?
It is a very intuitive process. The best work came out on impulse. I has a picture in my head and keep myself on it until finish the idea. I try not to stay just in on style and seeking new ways to produce videos. This challenge takes me on. In my current research I try to blend elements of horror movies with an video art`s aesthetic.
5. Tell me something about the technical equipment you use.
A depends lots of the situation and what I want to do. In college, everything was very precarious, We had no access to equipement, early we learned to produce with the possibilities that we had. That was very important because we learn to improvise and do whatever possible with few options. Or you was creative or couldn’t do anything. I`m stay with this vision about how to make vídeos. If we had a cell phone to make the images we have keeping with it and try to make the best possible.
6. The field of “art and moving images” (one may call it videoart or also differently) is representing an important counter position in contemporary art. Tell me more about your personal position and how you see the future of this field ( your personal future and the future of “art and moving images”)
If in my childhood, I could realized what happens today, I would say that I live in a sci-fi world. Apartthe tools that we have available today and resources that comes in close future, the potential poetic of each artist always ben the most important.
7. How do you finance your films?
Usually the money for my work comes from my own pocket. Today, the easy access to video stuff, combined with my production mode, allows made my Projects financially viable , with my parallels works.
8. Do you work individually as a video artist/film maker or do you work in a team?
I work in the both ways, I have my solo projects and also with a friends. The “Colégio invisievel” artistic collective that I belong is where these partnerships happen. Especially with the long-time friend Dellani Lima.
if you have experience in both, what is the difference, what do you prefer?
Work “alone” makes me fell a false sense absolute control of my work. That makes everything easier for me. When I share a project I looking for friendship aesthetic support as Dellani Lima. He can see the images that I record and thing thinks that i can`t saw before. I know that when I give to him a raw material. He understand the whole context about my images. That kind of sensitivity, plus his own poetic, enhances the entire project. With that I’m more relaxed with the “lost of control”, and the result, and always suprise me.
9. Who or what has a lasting influence on your film/video making?
I could talk about several video/filmmakers who showed me that it was possible to became real the images that I got inside my head. Jan Svankmajer, Norman McLarenand Bill Violla, each one in their way, always be big influence for me. But I can’t see them as kind of triggers inspiration for my production. I Depending on the environment that I’m in, to inspire me. Can be a little lizard on the wall, a empty bug skin, or one of my grandmother histories. Those little things make the magic happen.
10. What are your plans or dreams as a film/video maker?
That’s what I can do. While I can produce my work, I’ll continue on this way.
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terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Era uma vez uma estrela amarela sobre pano vermelho!





Hoje me perdi à caminho do trabalho. O andar sem rumo,  perdido geografica e mentalmente, abandonando caminhos rotineiros para explorar novos lugares é uma das coisas mais divertidas pra se fazer quando se está só, esperando os ponteiros do relógio correrem de um ponto ao outro. Errando, uma velha história me voltou a cabeça.

Fórum Social Mundial de 2005 em Porto Alegre. O evento já havia acabado e ainda tinhamos q esperar o outro dia pra voltar pra casa. Entre as os restos de barracas, discussões acaloradas, a deriva. Buscava lugares que não havia frequentado antes. Encontrei as tendas comerciais. Um amontoado de pessoas  me chamava a atenção. Curioso, fui averiguar o burburinho.

 Os delegados vietnamitas liquidavam o estoque, os cônicos chapeis de palha desapareceram rapidamente. Também havia as camisetas vermelhas com uma grande estrela amarela no centro. Para eles a bandeira nacional, para minha porção nerd,  o uniforme do super-héroi dos quadrinhos, Staman. Para a galera que estava no Forúm só pela azaração e ao me ver usando a camsisa dentro do onibus, a camisa do PT. 


A variedade de significados que um mesmo símbolo oferece, me levam a pensar a sobre poder simbolico das cores e formas. Rica em significados para paises comunistas, a estrala amarela sobre o fundo vermelho eram hostentadas por um super-heroi americano, Starman,  Criado em 1941. Como o personagem conseguiu passar sem arranhões pelo McCartismo e o Comic Code Authority.? Código super rigoroso criado na  década de 50 nos EUA que forçou as próprias editorasa criarem sua própria autocesura para para não atrapalhar os negocios, diante do clamor moralista instaurado pelo psiquiatra Frederic Wertham, em seu polêmico livro: "Seduction of the Innocent". 






 "Como diria o outro": "- As vezes um cachimbo é só um cachimbo".


Símbolos e cores a parte, ficam apenas a imagem e nada mais ilustrativo e por que não dizer, sem segundas intenções, que um personagem chamado "homem estrela" levasse a "estrela" no peito.


Mais ou menos na mesma época do Forum de Porto Alegre rolava "um boato"  em Belo Horizonte, a impressa mineira era censurada pelo governo Aécio Neves. Imagens favoraveis aos partidos adiversários e notícias ruins que estragassem a imagem do governador não teriam espaço algum a mídia mineira.


 Há 4 anos atrás, fui Convidado a dar uma entrevista ao programa "Agenda" da Rede Minas sobre meu trabalho que estava na sessão Cinema de Garagem da Mostra de Cinema Internacional - INDIE. Pra testar a veracidade do boato, me aventurarei numa ação. Apostando na mesma ingenuidade que levou pessoas menos informadas a acharem que a tal camiseta era a camisa do PT, será que a tal censura vigente no estado barraria minha imagem por achar que era do partido adiverssário? Vale lembrar que estrela do Partido dos Trabalhadores e vermelha, com as letras "PT" em preto ao centro sobre o fundo branco. Munciado da camiseta enfrentei a entrevista. No resto da semana acompanhei os programas  do canal estatal e só meu amigo e companheiro de entrevista Alex Queiroz aparecia nas matérias.


Um ano depois na ocasião do evento "pintura além da pintura" do CEIA, tive a chance de repetir o experimento. Fui convidado a falar da co-curadoria de filmes feita pro evento. Vestido de vermelho, falei dos intercessões entre Pintura e o Cinema. Acompanhei todos os programas procurando pela matéria do evento, todo mundo que deu entrevista estavam lá. Novamente, eu e minha camiseta estavamos de fora.




Recentemente na apresentação dos selecionados da Bolsa Pampulha a camiseta estampou a primeira página do caderno de cultura de outro veículo sempre contestado na questão da censura (foto acima). Dessa vez a camiseta veio a público. Reconheço que a relavancia do projeto Bolsa Pampulha e a importância do Museu, são o suficiente pra o aval necessário publicação da foto. Mas, coincidência ou não, o governador entregou seu mandato a menos de dois meses antes da publicação da foto.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

FAÇA COMO PUDER!!!!


   Alex Linfolfo / série fragmentos
Quem inventou o lema punk, Faça você mesmo! Também poderia ter incluido mais algumas palavras e dito assim, " Faça você mesmo e conte com os amigos!". Meus primeiros trabalhos não existiriam sem a ajuda de amigos. Marcelo Terça-Nada, Letícia Abreu, Kurt Navgator, Elton Amaral e Pedrinho Peixoto, publico aqui meu obrigado pelos empréstimos e colaboração na construção dos mesmos. Mesmo com a generosidade dos amigos tem uma hora que a indisponibilidade gera a impossibilidade. Até ser totalmente independente leva um tempo, se é que algum dia poderei realmente dizer que exista tal "independência". Depois que experimentar a camera alheia para os primeiros passos no audiovisual, fica difícil, não querer fazer mais. Ter, qualquer que seja o equipamento de gravação de imagens e sons a mão, continua prevalecendo como a melhor opção.


Agora portador da chama, troquei de papel e poderia possibilitar a entrada de outros amigos, também iluminados pela vontade de produzir, ao mundo do audiovisual, certo? Bem, não foi bem assim que eu fiz. 


Pouco depois de formado na EBA/UFMG, Alex Lindolfo me procurou, pedindo emprestado equipamento para fazer um documentário poético sobre sua mãe. A possibilidade de materializar o imaginário Minduriense, cidade natal do videomaker, já me dizia que ai vinha coisa boa dali. Preste a ceder ao pedido, perguntei a ele: - Você tem algum equipamento pra gravar audio e imagem? A resposta veio com a descrição uma camera fotográfica digital com baixa resolução de vídeo, que não gravava audio e um mp3 player que poderia resolver essa falha em um canal mono.


Vendo essa limitação como uma potencial aliada, principalmente no fato que se ele realizasse algo com o próprio equipamento, ele poderia seguir com alguma autonomia no futuro. Disparei uma proposta sentido a cabeça do rapaz: - Porque você não faz o vídeo com o equipamento que tem, do jeito que der? Se não der certo eu te empresto minha câmera. Encafifado com a idéia Alex sumiu por uns tempos. Quando o reencontrei, ele numa postura insegura me chamou para ver o material coletado em uma visita a casa da mãe. O material mesmo "precário" em qualidade imagem, era cheio de poética, apresentando um mundo que só Lindolfo conhecia. A imagem pixelada não nos priva em nenhum momento de sua potência poética. As coisas, os gestos, os fazeres, os causos da Mãe do artista. A canção  "o pai Zé acendeu a luz e o Xicuro foi embora, pai zé apagou a luz e o xicuro chegou, " nos remetem a maneira roseana de olhar para o próprio quintal e a partir de lá, expor toda sua beleza, sem nenhuma tentativa de facilitação ou aproximação de um contexto urbano. O que não significa que o vídeo seja hermetico, pelo contrario "Moça e chita, não tem feia nem bonita" (2007), é universal.


Esse é um belo exemplo de que a falta de um bom equipamento não serve como desculpa para deixar de produzir. Acredito que o desafio de produzir com limitações técnicas pode ser um desencadeador de criatividade, pra quem  se arrisca nessa frente. Alex Lindolfo segue produzindo sua obra. Eu fico feliz por ele ter topado o desafio.


Alex Lindolfo / Moça e chita não tem feia nem bonita

terça-feira, 16 de novembro de 2010

O ARTEIRO



O silêncio se fazia a mais de 40 minutos dentro do carro, quando Maria Eduarda cessara seu repertório de canções infantis. O carro seguia sobre a estrada mal cuidada, cortando ao meio o horizonte de laranjais, escolhida a dedo para evitar os pedágios de São Paulo.  Andressa, filha de meu padastro, conduzia o carro sem que trocássemos muitas palavras. A falta de intimidade gerava conversas rasas que não rendiam mais que meia dúzia de frases trocadas a cada 20 ou 30 quilômetros. Aceitei a carona na esperança de chegar mais cedo em Belo Horizonte e assim dormir umas horas a mais antes da primeira reunião da Bolsa Pampulha. O percurso tranqüilo quase deserto contribuiu para que o pescoço embreagado de sono pendesse pros lados, perdendo de lavada a batalha com homem da areia. Senti toque sutil em minhas costas, leve o suficiente pra me despertar. Maria Eduarda havia acordado e necessitava me deixar ciente do fato. O toque veio seguido de uma pergunta: - Você faz arte?  Andressa e eu nos entre olhamos  achando engraçado ela tocar nesse assunto. Respondi prontamente: - Sim, eu faço! -Tá de castigo!!!  Gritava ela aos risos, presa a sua caderinha no banco de trás de carro. Insistiu ela - Você faz arte? Olhei pra mãe dela que assim como eu estava achando graça de tudo. - Acho que eu to perdido Duda, eu estudei quatro anos na faculdade de arte. - Tá de castigo!!! Se vangloriava ela, como um comediante frente a piada perfeita.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Ô Joacélio desocupado!!!


Algumas imagens nunca saem da cabeça, uma me atormentou por uns 3 anos. Minha avó retirava as entranhas de uma galinha.  Repugnante para muitos, para ela, usando suas próprias palavras dela: - Zefá olha essa banha. Que coisa maravilhosa!

O quer realmente minha avó via de belo naquilo ali?

Sempre tive a certeza que as imagens da matança de frangos para o casamento de minha mãe e a a beleza que minha avó enxergava acabariam em vídeo. Mas sinceramente não sabia como, uma hora ele apareceria sem avisar. Acredito que as coisas ficam na subconciente tomando forma, esperando pra acontecer.

Como de habito joguei minha camera DV no muchilão um tripé e fui pra cidade de minha avó, com planos de visitar um tio que a muitos anos não via. Queria filmar ele e seus jogos maravilhosos de contação de mentiras. Desde de criança ele e meu pai e conhecidos deles se reuniam em volta da mesa de café, disputando quem contava a mentira mais cabeluda. Sempre acompanhados pela broa da tia Marcina, responsável  pela avalanche de mémoria sensorial, que só não é melhor que o Tutú com linguiça dela.

O Grota fica 19Km de Abre Campo. Só se chega de carro. Não há linha de onibus ou van que faça o caminho, o que dificulta a visita a eles. Tinha três fitas para testar se havia ou não o embrião de um documentário. Mas o jogo não aconteceu sem a presença de meu pai. Tentamos fazer com meus primos, mas os causos contados por eles estavam muito "conteporaneos". A TV realmente faz suas vítimas. A tradição do  causo é uma delas. Pessoas como meu pai, meu tio e todos meus avós, que nasceram num cultura sem tv, são maravilhosos oradores. Sabem prender a atenção como ninguém. Ainda me sinto uma criança diante de história contada por eles.

Voltei pra casa da minha avó, com as fitas gravadas. Mas sobrara 40 minutos. Minha avó estava sobre a mira da camera. A pergunta que me atordova a tanto tempo deu sua graça e resolvi perguntar pra ela: - Vó, o que é bonito pra senhora? A resposta tá no documentário "Entre o terreiro e a cozinha".

A casa da minha avó materna representa o ultimo lugar da infância que não existe só na mémoria. Com o tempo consegui ver sobre o muro do corredor de entrada para a cozinha sem que ninguém me levantasse. Mas era como se isso não fosse verdade. De todo tempo em que frenquentei a cidade de minha avó, 60% desse tempo eu passei na cozinha ou no quintal dela. Hoje nem um nem outro existe mais. Construiram uma casa nova pra ela viver.

Gravei o que pude da casa dela no tempo que me sobrava na fita. Esperava o almoço, a mala estava pronta. Pegaria o onibus em duas horas. Aí minha avó com seu sorriso sapeca disse: - Vou ligar pra radio! Entendi a senha e ao mesmo tempo, bateu o desespero. Estava ali uma chance única de pegar minha avó demostrando afeto e não tinha nenhuma fita. Aproveitei o grito que veio da rua: -"Donaparicida!" Que a chamou a porta. Corri pro quarto. Desfiz a mochila. Precisava de 5 minutos que fosse pra filmar que iria acontecer. Tive que optar por uma imagem de meu tio em seu bar, pelo que estava pra acontecer. Escolha dificil mas necessaria. Cheguei a tempo de montar o tripe ligar a camera e gravar ela chamando a rádio.

Não sei se minha avó vê alguma utilidade no que eu faço, muito menos o que eu via de bonito na cozinha dela pra ficar filmando tanto.  Ela respeita embora me chame de "desocupado" toda vez que a gravo. Ironia pura, que sempre nos diverte. Acho q entendi o que ela vê como bonito. Também sei que ela não gostou de ver a cozinha dela exibida numa sala de cinema. Depois disso ela ficou muito cabrera quando chego com uma camera na casa dela. Aproveitei as 4 horas de viajem de volta a Belo Horizonte, para assistir todo o matérial. Cheguei e casa e fui logo capturando as fitas pro computador. O video estava pronto na minha cabeça era só juntar com as imagens que já não me torturavam mais.